*ANO QUE VEM, JERUSALÉM*

📖 “Mas como poderíamos entoar um cântico ao Senhor em terra estranha?” (Salmo 137:4)

🎵 Um cântico em terra estranha
Exilados em território pagão, os israelitas almejavam retornar à terra natal. O Salmo 137, por exemplo, era entoado com lágrimas de tristeza enquanto o povo de Israel permanecia “junto aos rios da Babilônia”. Eles cantavam:
“Se eu me esquecer de você, ó Jerusalém, que a minha mão direita se resseque” (v. 5).

🏛️ Jerusalém: terra, templo e memória
Atacados pela Assíria, Babilônia, Grécia e Roma, os judeus foram forçados a abandonar Jerusalém e o Templo, várias vezes. Assim, as famílias que viviam em terras estrangeiras começaram a se despedir após a ceia de Páscoa dizendo uns para os outros: “Ano que vem, Jerusalém.” Ou seja, “que a próxima Páscoa seja na Cidade Santa”.
Até hoje, essa expressão é usada por famílias judias ao redor do mundo. Contudo, alguns perguntam se ela ainda faz sentido, uma vez que Jerusalém não pertence apenas aos judeus nem é a capital do moderno Estado de Israel. Além disso, o templo permanece sem ser reconstruído e, em seu lugar, erguem-se monumentos muçulmanos.

🌍 Conforto, conflitos e fé
Muitos israelenses não se importam com essa situação, pois não seguem mais os preceitos do judaísmo. De fato, muitas famílias judias que vivem fora de Israel estão confortáveis, tanto religiosa quanto materialmente, nos países em que residem. O que as incomoda são os extremos da vida religiosa e os constantes conflitos no Estado judaico.

✨ A esperança da Jerusalém eterna
Alguns rabinos explicam que, ao dizer “ano que vem, Jerusalém”, o judeu não se refere mais à capital de Israel, mas à Jerusalém eterna, aquela que nós, cristãos, chamamos de “Nova Jerusalém”. Assim, a esperança expressa nessa frase revela o anseio de que, no próximo ano, à mesma hora, estejam com o Messias em Seu reino. Para eles, isso significa Sua primeira vinda; para nós, o Seu retorno.

👑 Cidadãos ou exilados?
O modo como esperamos o Rei está diretamente relacionado ao sentimento que temos em relação a este mundo. Não se trata de viver um isolamento fanático, mas de questionar honestamente: O que sou neste mundo? Cidadão ou exilado?
É estranho sentir falta de um lugar onde nunca estive, mas estou repleto de saudades do Céu. E você?

💬 Reflexão final
1️⃣ Onde está, de fato, a minha Jerusalém: neste mundo ou no Reino eterno?

2️⃣ Minhas escolhas diárias revelam que sou cidadão confortável ou um peregrino em esperança?

3️⃣ De que forma a expectativa pelo retorno do Rei molda minha fé, prioridades e visão de futuro?

🔗 Leitura recomendadaEsperança ou Expectativa?; Pés na terra, olhos no céu;

1. O que significa “ano que vem, Jerusalém” à luz da Bíblia?

A expressão nasce do contexto do exílio judaico e expressa o anseio pelo retorno à terra santa. Biblicamente, ela aponta para mais do que uma cidade física: revela saudade, identidade espiritual e esperança. O Salmo 137 mostra esse sentimento quando Israel lamenta longe de Sião.
Reflexão: Para os cristãos, essa esperança se amplia para a Nova Jerusalém, símbolo do Reino eterno de Deus.

2. Por que o Salmo 137 fala de cantar ao Senhor em terra estranha?

O Salmo 137 descreve o conflito espiritual de adorar a Deus em meio ao exílio, longe do lugar que representava Sua presença. A pergunta “como cantar?” revela dor, perda e crise de identidade espiritual.
Reflexão: O texto desafia o leitor a avaliar se sua fé permanece viva mesmo em ambientes espiritualmente hostis.

3. A Jerusalém mencionada no Salmo 137 é a mesma da Nova Jerusalém?

Não. No Salmo 137, Jerusalém é histórica e geográfica. No Novo Testamento, a esperança se projeta para a Jerusalém celestial, descrita como eterna e gloriosa. (Apocalipse 21:2).
Reflexão: Teologicamente, isso mostra a progressão da revelação bíblica: da cidade terrena para a pátria definitiva preparada por Deus.

4. Biblicamente, somos cidadãos deste mundo ou exilados nele?

A Escritura afirma que os fiéis vivem como peregrinos, não como cidadãos permanentes deste mundo. (Hebreus 11:13–16).
Reflexão: Essa consciência molda valores, escolhas e expectativas. O cristão vive aqui, mas pertence a uma pátria superior, o que transforma sua relação com poder, conforto e sucesso.

5. Como a esperança da Nova Jerusalém influencia a vida cristã hoje?

A expectativa da Nova Jerusalém fortalece a perseverança, relativiza o sofrimento presente e orienta a vida para o Reino de Deus. (Filipenses 3:20).
Reflexão: Essa esperança nos convida a viver com propósito eterno, lembrando que a saudade do Céu é sinal de que não fomos feitos apenas para este mundo.

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